quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Olhar de Fome.

(Fernanda M. de C. Barros)
Olhar de Fome ele tinha...
Mas uma fome com graça,
Cheia de graça,
E não fome faminta.

Quer dizer,
Ela era sim faminta,
Mas uma fome compartilhada,
Comigo compartilhada.
Um caçador não parecia.

Não havia predador e caça.
Não havia faminto e comida.
Não há, na verdade não há.
Porque comigo ainda vive seu olhar.

E não sei como explicar,
O que é caça e não é.
Quando faminto e comida se é.
Quando ser caça e caçador se quer.

Não sei como explicar esse nosso olhar!

Faminta Comida,
Comida Faminta;
Somos nós.

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